Greve feminista em Zurique; Foto: Irena German, Unia
Sociedade
Política
Greve feminista de 14 de junho de 2026

Igualdade salarial, proteção contra a violência e valorização do trabalho de prestação de cuidados

- Elise Gérard

A 14 de junho de 2026, milhares de pessoas saíram às ruas em toda a Suíça. De Basileia ao Ticino, de Zurique a Lausanne: as reivindicações são as mesmas de há anos e continuam por satisfazer: igualdade salarial, proteção contra a violência e reconhecimento do trabalho de cuidados.

Multidões nas ruas

Em Zurique, cerca de 60 mil pessoas participaram numa manifestação vibrante, que decorreu entre as 17h e as 20h. O Coletivo Feminista de Greve organizou um «Mercado dos Cuidados» (Care-Market), onde coletivos e sindicatos apresentaram o seu trabalho e deram a conhecer os preparativos para a grande Greve dos Cuidados de 2027. Momentos de silêncio em memória das vítimas de feminicídio e dos profissionais que cuidam de crianças, idosos, pessoas doentes e dependentes, bem como de todas as pessoas que desempenham esse trabalho de forma não remunerada, alternaram com palavras de ordem e cânticos de protesto. Em Lausanne, cerca de 15 mil pessoas saíram à rua um dia antes, a 13 de junho, para poderem participar, no dia 14, nos protestos contra a cimeira do G7, em Genebra. Também em Basileia, St. Gallen, Winterthur, Schaffhausen e Olten, as manifestações ficaram marcadas pela energia, pela solidariedade e por reivindicações claras.
 

 

Quem paga o preço dos cuidados?

Houve um tema comum que atravessou todas as regiões: o reconhecimento e a distribuição justa do trabalho de prestação de cuidados (care). No Ticino, o Unia organizou, em conjunto com os restantes sindicatos da União Sindical Ticinesa, um workshop de um dia inteiro sob o lema «Chi paga il prezzo della cura?» («Quem paga o preço dos cuidados?»).

O trabalho de prestação de cuidados não remunerado não é um problema privado, mas sim uma transferência estrutural de trabalho gratuito que beneficia as empresas e todo o sistema económico, à custa das mulheres.

Em Neuchâtel, Solenn Ochsner, do Unia, e Sabrina Rinaldo, do SSP, discursaram perante mais de mil manifestantes: «A greve feminista não é uma ação pontual, é um processo coletivo. Porque, seja pago, mal pago ou não pago, somos todas trabalhadoras.»

Rumo a 14 de junho de 2027

Falta apenas um ano para a Greve dos Cuidados de 2027 e os preparativos já estão em curso. Reuniões mensais, assembleias setoriais e campanhas vão manter a mobilização até à grande jornada de luta.

O Unia Vaud aproveitou também o 14 de junho para realizar assembleias com uma participação recorde nos setores maioritariamente femininos da limpeza e das lavandarias, lançando assim a campanha para a renovação das convenções coletivas de trabalho.

A luta continua.