Mal foi travada a iniciativa do caos, os trabalhadores enfrentam já uma nova ameaça aos salários. O Parlamento decidiu que os salários mínimos fixados…
A rejeição da iniciativa do caos «Uma Suíça de 10 milhões» foi uma vitória. Mas não é razão para baixar a guarda. A iniciativa foi rejeitada nas urnas graças ao nosso enorme e incansável empenho. Mas a campanha deixou marcas profundas e revelou até que ponto os discursos racistas e contra as pessoas estrangeiras se tornaram socialmente aceitáveis.
Cyprien Baba, membro do Unia e pertencente a uma «minoria visível», sente-o no seu quotidiano: «As afirmações racistas são cada vez mais consideradas normais e expressas sem qualquer inibição.» A propaganda da direita aposta deliberadamente na divisão, colocando pessoas em situações precárias umas contra as outras e enfraquecendo, assim, a solidariedade – também entre trabalhadores e trabalhadoras.
E os ataques continuam. A UDC apresenta no Parlamento inúmeras propostas que retomam diretamente o conteúdo da iniciativa. A direita transforma a polarização num instrumento político para dividir a solidariedade na sociedade e perpetuar barreiras estruturais.
As campanhas políticas permanentes acabam por desgastar direitos que foram conquistados com anos de luta. É aqui que, enquanto sindicato, somos diretamente afetados: atacar os direitos das pessoas migrantes significa atacar os direitos de todas as trabalhadoras e de todos os trabalhadores. Quando os direitos de um grupo são postos em causa, todos ficamos mais vulneráveis.
É contra esta lógica de divisão que se realiza, no dia 26 de setembro de 2026, na Bundesplatz, em Berna, a manifestação nacional do movimento migratório «Entre nós, não há fronteiras». Temos de levar para a rua a defesa dos direitos das pessoas migrantes e requerentes de asilo, tornando esta luta visível e criando pontes entre diferentes movimentos: entre as lutas pela defesa dos direitos humanos, pela proteção do ambiente e pelos direitos dos trabalhadores.
Os direitos fundamentais não podem ser privilégios. O acesso à saúde, à educação, ao trabalho e à proteção jurídica tem de ser garantido a todas e todos, sem exceção. Porque o direito a ter direitos e a participar ativamente na vida política não é negociável.
No dia 26 de setembro, vamos juntos dar um forte sinal por uma Suíça solidária!
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