O dia 8 de março marca o Dia Internacional dos Direitos da Mulher. Mais de um século após a sua criação, a luta está longe de ter terminado. A discriminação e a violência contra as mulheres continuam a ser uma realidade quotidiana, inclusive no mundo do trabalho.
Na Suíça, as mulheres ganham, em média, 17,5% menos do que os homens (Relatório do Unia de 2025 sobre os salários das mulheres). Quase duas em cada três mulheres e um em cada dois homens são vítimas de comportamentos de assédio no local de trabalho. No entanto, a maioria dos casos permanece oculta: a grande maioria nunca é comunicada aos superiores. Muitos empregadores ainda não conhecem suficientemente as suas obrigações legais em matéria de prevenção e proteção contra o assédio.
Para assinalar esta data, o Unia publicou uma brochura disponível em dez línguas (albanês, alemão, espanhol, francês, inglês, italiano, polaco, português, servo‑croata, turco). A publicação oferece informações concretas e conselhos práticos para pessoas afetadas, testemunhas e profissionais. Além disso, realizaram‑se manifestações em espaço público em várias cidades suíças.
Encomendar a brochura: Não_ao_assédio_sexual_no_local_de_trabalho
No dia 7 de março de 2026, o Unia organizou a sua conferência de mulheres dedicada ao tema da violência de género e do assédio sexual. Mais de metade das trabalhadoras e dos trabalhadores enfrenta esta situação pelo menos uma vez ao longo da sua vida profissional (relatório do SECO e do EBG 2024–2025).
A advogada Valérie Debernardi apresentou as diferentes formas de assédio e recordou os direitos das pessoas trabalhadoras. As participantes formularam exigências claras: regras rigorosas contra o assédio sexual, procedimentos de denúncia simples e formações regulares. O Unia reivindica ainda um reforço da proteção jurídica, bem como a ratificação, pela Suíça, da Convenção 190 da OIT.
Em fevereiro de 2026, o Tribunal do Trabalho de Genebra condenou a cadeia de fast-food Five Guys por assédio sexual. Uma funcionária apoiada pelo sindicato Unia foi repetidamente vítima de assédio entre 2018 e 2022. Apesar das repetidas denúncias, o empregador não tomou qualquer medida. O tribunal concedeu à queixosa uma indemnização de cerca de 20 000 francos e destacou a «negligência» do empregador. De acordo com os dados do Governo Federal (2024), o setor da hotelaria e restauração é particularmente afetado: mais de metade das mulheres denuncia ter sido vítima de assédio sexual. As advogadas da queixosa esperam que este caso sirva de precedente no futuro. Esta decisão abre caminho para outras vítimas.