Trabalho
Calor extremo nos estaleiros

Os trabalhadores da construção civil exigem regras vinculativas

- Chris Kelley

Há anos que as ondas de calor se intensificam durante o verão. Os trabalhadores da construção civil estão entre os mais afetados. As consequências para a saúde podem ser graves. No entanto, a forte pressão dos prazos no setor faz com que até as medidas mínimas de proteção sejam repetidamente ignoradas pelas empresas. Por isso, os trabalhadores exigem regras claras e vinculativas: suspensão do trabalho ao ar livre quando a temperatura atingir os 33 graus e o consequente adiamento dos prazos de conclusão das obras.

O sol incide de forma intensa do alto e, por baixo, o asfalto escaldante irradia calor. É nestas condições que os trabalhadores da construção realizam tarefas fisicamente exigentes. O calor extremo não é apenas desgastante — constitui um verdadeiro risco para a saúde:

  • O calor intenso pode provocar desidratação, insolação e golpe de calor.
  • Todos os anos, cerca de mil trabalhadores adoecem devido a cancro da pele de origem profissional.
  • Segundo a Suva, o risco de acidentes nos estaleiros de construção civil aumenta em sete por cento nos dias em que as temperaturas ultrapassam os 30 graus.

Perante o agravamento das alterações climáticas, este perigo aumenta de ano para ano. Já em maio deste ano foram registados recordes de temperatura.

 

Primeira melhoria graças à pressão sindical

Atualmente, existem várias medidas de proteção aplicáveis ao trabalho em períodos de calor intenso: pausas regulares, disponibilização de água potável e adaptações dos horários e da organização do trabalho.

Contudo, a realidade demonstra claramente que são necessárias regras mais claras e vinculativas. Há anos que o Unia se empenha nesse sentido. Foi graças a esse empenho que, em 2024, foi criada uma «Mesa Redonda para a Saúde na Construção», reunindo representantes das empresas de construção, dos donos de obra, da Suva, das autoridades e dos sindicatos.

A pressão exercida pelo Unia permitiu também alcançar algumas melhorias concretas. Assim, segundo as diretivas da Suva, quando a temperatura atinge os 33 graus, os trabalhadores têm atualmente direito a uma pausa de 15 minutos por cada hora de trabalho.

Mas os avanços não se limitaram a isso. Graças à luta laboral do ano passado, foi igualmente possível introduzir melhorias na Convenção Coletiva de Trabalho da construção civil, o chamado Contrato Nacional da Construção. O novo contrato estabelece explicitamente que o trabalho deve ser interrompido sempre que o calor coloque em risco a saúde dos trabalhadores.

A saúde dos trabalhadores da construção civil é sacrificada em nome do cumprimento dos prazos

Apesar de alguns progressos alcançados, continuam por resolver questões fundamentais. Um dos principais problemas é a forte pressão exercida pelos donos de obra enquanto entidades contratantes. Na prática, os prazos cada vez mais irrealistas e a pressão do tempo levam frequentemente as empresas a desrespeitar até as mais básicas normas de segurança.

Os trabalhadores da construção civil exigem medidas de proteção mais rigorosas e ajustes nos prazos

Para proteger eficazmente a saúde dos trabalhadores da construção, são necessárias medidas adicionais. Em conjunto com o Unia, os trabalhadores reivindicam:

  • A suspensão temporária do trabalho ao ar livre sempre que a temperatura atinja os 33 graus.
  • Sempre que o trabalho seja interrompido devido ao calor, os prazos de execução das obras devem ser ajustados em conformidade.

O Unia continuará a exigir o cumprimento rigoroso das medidas de proteção nos estaleiros e, sempre que necessário, apoiará os trabalhadores afetados na suspensão dos trabalhos quando a sua saúde estiver em risco.

  • * Chris Kelley, co-responsável do setor da construção do Unia