Greve geral de 11 de dezembro: os trabalhadores não aceitam retrocessos

No dia 11 de dezembro, os trabalhadores em Portugal deram um sinal forte, claro e inequívoco. Pela primeira vez em mais de uma década, realizou-se uma greve geral, convocada pelas centrais sindicais CGTP-IN e UGT, com elevada adesão em vários setores e uma forte mobilização em Lisboa e noutras regiões do país. Transportes, escolas, serviços públicos, aeroportos e administrações locais foram profundamente afetados. Mais do que uma paralisação, foi um ato de resistência coletiva contra políticas que ameaçam direitos fundamentais de quem vive do seu trabalho.

Porque é que esta greve foi necessária?

Esta greve geral não surgiu por acaso. Foi a resposta necessária às propostas de alteração ao Código do Trabalho apresentadas pelo atual Governo, propostas essas que, apesar de serem apresentadas como “modernização”, representam na realidade um grave retrocesso social. Os trabalhadores sabem, pela experiência, o que estas “reformas” significam:  - despedimentos mais fáceis e menos proteção no emprego; - enfraquecimento da contratação coletiva, pilar essencial da justiça salarial; - mais precariedade, sobretudo para jovens e trabalhadores com contratos a prazo; - horários mais longos e mais imprevisíveis, impostos unilateralmente; - e tentativas de limitar o direito à greve, um direito constitucional conquistado com luta. Estas medidas não modernizam o trabalho — fragilizam quem trabalha e fortalecem apenas quem lucra.

O que está em jogo?

O que está em causa não são detalhes técnicos ou artigos legais. O que está em jogo é o modelo de sociedade que queremos:

  • trabalho com direitos ou trabalho descartável;

  • negociação coletiva ou imposição patronal;

  • segurança no emprego ou medo constante do despedimento.

Por isso, a Greve Geral foi também uma luta pela dignidade, pela possibilidade de planear a vida, sustentar uma família e envelhecer com direitos.

A solidariedade internacional do Unia

O sindicato Unia expressou de forma clara e pública o seu apoio à greve geral convocada pela CGTP-IN, através dos meios oficiais de comunicação do Unia, nomeadamente o Instagram do sindicato e o nosso website oficial. O apoio do Unia à CGTP-IN não se explica apenas pelo facto de a maioria dos nossos associados ser de origem portuguesa. Explica-se, sobretudo, porque o Unia apoia as posições e as medidas tomadas pela CGTP-IN na defesa dos interesses maiores dos trabalhadores em Portugal: direitos laborais fortes, contratação coletiva, emprego estável, salários dignos e justiça social. A solidariedade sindical não conhece fronteiras quando os direitos dos trabalhadores estão sob ataque.

Trabalhadores diferentes, direitos comuns

Os trabalhadores não pensam todos da mesma forma nem votam todos nos mesmos partidos. Ignorar esta realidade seria um erro.
Mas há algo que une todos os trabalhadores: ninguém quer perder direitos no trabalho.

A greve geral mostrou que, quando estão em causa:

  • o emprego,
  • o salário,
  • o horário de trabalho,
  • a proteção social,

os interesses dos trabalhadores são mais fortes do que qualquer divisão partidária.

O sindicalismo como resposta

Num tempo de discursos que dividem e de políticas que enfraquecem direitos, o sindicalismo continua a ser a principal linha de defesa dos trabalhadores. Os sindicatos existem para:

  • organizar a força coletiva;
  • transformar o descontentamento em ação;
  • defender direitos concretos, aqui e agora.

A greve geral de 11 de dezembro provou que a luta coletiva continua viva — e continua necessária.