Na sexta‑feira, 27 de março de 2026, realizou‑se em Berna uma conferência de imprensa contra a chamada iniciativa «Chaos» da UDC. Representantes da política e dos sindicatos alertaram para as graves consequências que esta iniciativa poderia ter para as trabalhadoras e os trabalhadores na Suíça.
Entre a conferência de imprensa e a manifestação sindical que se seguiu na Praça Federal, tive a oportunidade de conversar brevemente com Vania Alleva, presidente do sindicato Unia. Na entrevista, explicou por que motivo a «Iniciativa do Caos» representa um perigo para todas as pessoas trabalhadoras e de que forma está a ser conduzida a campanha contra esta proposta.
A iniciativa constitui um ataque direto aos direitos laborais — não apenas dos trabalhadores sem nacionalidade suíça, mas de todas as pessoas trabalhadoras. Ao enfraquecer direitos fundamentais e mecanismos de proteção, a proposta lançaria a economia suíça no caos. Estariam em risco os salários, as pensões, os postos de trabalho e até a estabilidade do sistema de saúde suíço.
Será essencial dialogar com muitas pessoas — nos locais de trabalho e na rua — e explicar claramente qual é o verdadeiro objetivo da SVP: não reduzir a migração, mas aumentar o número de pessoas migrantes sem direitos. Com esta iniciativa, direitos fundamentais seriam eliminados, como o direito ao reagrupamento familiar e, sobretudo, os mecanismos de proteção salarial, imprescindíveis para combater a pressão sobre os salários.
É fundamental falar sobre a iniciativa e, sobretudo, sobre aquilo que realmente está por detrás dela. Não aquilo que a UDC quer fazer crer, mas o facto de se tratar de um ataque direto aos direitos das pessoas trabalhadoras. Devemos discutir, informar e esclarecer, porque palavras como “sustentabilidade” soam bem e podem enganar. Muitas pessoas defendem a sustentabilidade, mas esta iniciativa nada tem de sustentável. A SVP nunca se empenhou pela sustentabilidade; o que faz é atacar direitos laborais. Cabe‑nos combater isso: informar, mobilizar e agir por um “não”.
A autora encontra‑se a realizar um estágio universitário no sindicato Unia.