Entrevista

O ataque do UDC aos direitos dos trabalhadores foi repelido com sucesso.

- Elise Gérard

Após o sucesso na votação contra a iniciativa do caos do UDC, conversámos com Vania Alleva, presidente do Unia,

sobre a mobilização do Unia durante a campanha, as razões para o grande sucesso na votação, a questão do discurso sobre a migração na Suíça, bem como os próximos passos e lições para o futuro.

 

Para o jornal Horizonte, gostaríamos de te fazer algumas perguntas sobre o resultado da votação de domingo, 14 de junho de 2026. Antes de mais: a Iniciativa do Caos do UDC foi rejeitada por 55% dos votantes. Sentes-te aliviada com este resultado?

Sim. Estou enormemente aliviada por termos conseguido travar este ataque aos direitos fundamentais dos trabalhadores. Conseguimos travar o ataque à livre circulação de pessoas e ao direito de se estabelecer na Suíça com um estatuto de residência regular e com a sua família ou de trabalhar num país da União Europeia ... foi esse direito que defendemos. E, com isso o desumano estatuto de trabalhador sazonal fica definitivamente afastado

Falámos em março. Na altura disseste que era preciso mobilizar para derrotar esta iniciativa. Como mobilizou o Unia?

Foram centenas de membros ativos, secretárias e secretários sindicais que estiveram presentes nas empresas, nas ruas e em assembleias, dialogando com as pessoas e debatendo a iniciativa. Isso foi extremamente importante.

Tu própria estiveste muito envolvida, inclusive junto de associações de migrantes. Houve mobilização a todos os níveis e em muitas línguas. Que reações recebeste das pessoas com quem falaste?

Por um lado, muitas pessoas ficaram chocadas por uma iniciativa tão extrema e desumana ter sequer chegado a votação. Por outro lado, foi importante mostrar às pessoas o que realmente estava por detrás desta iniciativa. Que não se tratava de sustentabilidade, mas sim de ataques aos direitos dos trabalhadores. Estes dois aspetos estiveram muito presentes nas assembleias e encontros.

Durante a campanha falou-se muito de migração. O UDC apresenta-a como um problema, enquanto os opositores destacam os seus benefícios. Como podemos fazer com que a migração seja vista como uma realidade normal e combater futuros ataques?

Mostrando qual é a realidade vivida no dia a dia.A Suíça é um país diverso e é precisamente essa diversidade que constitui a sua força. É importante que os trabalhadores não se deixem dividir nem colocar uns contra os outros. Quando os direitos de uns são atacados, isso acaba por afetar todos os trabalhadores. Mas também é importante enfrentar os problemas reais que existem, os problemas relacionados com as rendas de casa, com o poder de compra e outras dificuldades que afetam os trabalhadores — todos os trabalhadores — . Temos de enfrentar esses desafios em conjunto. Estou convencida de que é assim que conseguiremos avançar. Unidos somos fortes!